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terça-feira, 8 de maio de 2012

Uma letra - Drão - Gil

Drão
O amor da gente é como um grão
Uma semente de ilusão
Tem que morrer pra germinar
Plantar n'algum lugar
Ressuscitar no chão
Nossa semeadura

Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Dura caminhada
Pela estrada escura




Drão
Não pense na separação
Não despedace o coração
O verdadeiro amor é vão
Estende-se infinito
Imenso monolito
Nossa arquitetura

Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Nossa caminha dura
Cama de tatame
Pela vida afora

Drão
Os meninos são todos sãos
Os pecados são todos meus
Deus sabe a minha confissão
Não há o que perdoar
Por isso mesmo é que há
De haver mais compaixão

Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Se o amor é como um grão
Morre nasce trigo
Vive morre pão
Drão, Drão

Bastante Atrasado - Frejat - Busto de Tamandaré - 28 de Janeiro de 2012

Bem atrasado, mas ainda a tempo de se atualizar...
Dia 28 de Janeiro se encerrou o projeto Estação do Som em João Pessoa com o show do carioca Frejat, chamado de "A tal da Felicidade". E esse realmente foi o clima de praticamente todo o show, com um repertório que saiu muito do roteiro "Barão Vermelho" e foi a Caetano, com "Você não entende nada", passou por Cazuza, com "Por que a gente é assim", um medley muito suigado - e segundo o próprio Frejat, do tempo em que havia realmente a Black Music brasileira - com "Não vou ficar, Réu Confesso e Você, todas da Vitória Régia e do saudoso Tim Maia. Indo além foi também no Pessoense Herbert Vianna, cantando "Caleidoscópio". Assim, nessa primeira parte do show, ele acabou surpreendendo os que, talvez como quem vai a um show sem saber exatamente o que vai ser tocado, não esperavam muita coisa do ex-guitarrista do Barão. Na segunda parte do show, Frejat entra nas suas composições pós Barão (e a partir de 2001, com "Desejos") e vai variando com as mais consagradas e conhecidas do público. Das óbvias aparecem "Malandragem", "Amor pra Recomeçar", "Por Você", "Bete Balanço" e "Puro Êxtase". No meio dessas, entrecorta com "Ainda é Cedo" do Renato Russo (uma das minhas preferidas) e, no Bis, faz a linda ‘Pra Recomeçar’ e "Segredos" (quem não viu o clipe, é lindo, vale a pena, foi inclusive vencedor do VMB - Melhor clipe POP 2002 e do prêmio Multishow 2003), e na última música, uma surpresa, com Bruno Gouveia subindo ao palco e, com sua atuação performática, já bem conhecida e adorada pelo público pessoense, dividiu com Frejat o hit "Exagerado", levando o público ao delírio. Pena que ele mesmo (Bruno) que tinha show marcado para a praia de Intermares logo após o show de Frejat, amargou o cancelamento da festa - acho que por falta de público mesmo.
Apesar das reclamações da imprensa local depois do show, alegando que Frejat não falou com ninguém antes de entrar no palco, o show foi magistral. Na minha opinião, melhor que o de Lulu Santos, que fez, esse sim, um show burocrático e sem a menor empatia do público (que já tinha um lance de mal-estar com ele). Frejat se comunicou o tempo inteiro com a platéia, elogiou o show anterior de "Zé Viola", e disse, no final que "vou ficar velhinho e não vou esquecer esse show aqui". Foi realmente muito simpático e empolgou a platéia, que saiu maravilhada com o que viu. Não era o Barão, é verdade. Nunca seria sem Cazuza, mas aparentemente, depois de um amadurecimento muito intenso do pondo de vista musical, Frejat se tornou um compositor virtuoso, de letras ricas e que também não deixa de revisitar velhos ritmos dos quais parece gostar muito, como é exemplo da Black Music brasileira. Encerrou assim, com chave de outro, o Festival de Música em João Pessoa.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Lulu Santos - 21 de janeiro - João Pessoa



- Pede desculpa! Pede Desculpa!

Era o que aparentemente gritava um grupo de pessoas perto do palco montado nas areias de Tambaú no projeto "Estação do Som" promovido pela prefeitura municipal de João Pessoa, que tem se firmado no calendário do Nordeste como ótima opção para a população que gosta e aprecia a boa música. Lulu Santos estava no Palco.

E quando uma carinha, intrigado, com penugens no rosto perguntou: - "pede desculpa pelo quê?", alguém teve de explicar que em algum momento do passado (há mais de 10 anos) Lulu Santos destratou uma platéia na mesma cidade onde, agora, acontecia o show. Explicou também que em virtude da idade do questionador, ele, provavelmente, era muito "juvenil" pra saber o porquê da exigência da retratação do artista. Mas ele disse que ia "twittar" isso. "Yeah, right", como diria Yve.


Ele não se retratou. Nem agradeceu. Nem falou uma única vez o nom da cidade onde estava.

Entrou, desceu o sarrafo na guitarra, fez seus trejeitos meio doidos e foi embora, agradecendo ao público "tirando o chapéu" que usou durante parte da apresentação com sua guitarra verde-piscina.

Outro dia já falei que ele (08 de março/2010 - http://sonstempoesilencios.blogspot.com/2010/03/o-cara-e-um-chato-arrogante.html) é o mais chato da Música Popular Brasileira. Mas também disse que o cara pode. Pelo que fez (e ainda faz) não deve nada a ninguém e se quiser gostar dele assim mesmo bem, se não, bem também.


Aliás, não ter papas na lígua não é uma exclusividade de Lulu Santos, vide Tim Maia, Ângela Ro ro, Rita Lee... o próprio Caetano (que um dia - quem estava lá lembra - perguntou "que balbúrdia é essa?" no Forrock...), sem falar em João Gilberto...

Assim, melhor mesmo é curtir a música, o show, a boa-forma de um sessentão malhado e que ainda leva multidões a cantar refrões que foram grudadas da cabeça de pelo menos duas gerações.

No palco, músicos que já o acompanham há bastante tempo, como o baterista "Chocolate" e o Tecladista "Hiroshi Mizutani", além de uma presença, essa mais nova, de Andrea Negreiros, que faz lindamente o vocal com ele e com o baixista "Jorge Ailton" e o saxofonista "PC".

Abriu com o medley Toda Forma de Amor - Um Certo Alguém - Último Romântico, Apenas Mais Uma de Amor, depois foi um grande desfile dos hits de sucesso, sem surpresas: "Sabado a noite", "De repente Califórnia", "Tempos Modernos", "Tudo bem", "Tudo azul", "Como uma Onda", "A cura", "Condição", SOS Solidão, "Ela me faz tão bem", "Um pro outro", "Adivinha o que", "Já é", "Papo Cabeça", "Assim Caminha a Humanidade".

Das mais novas, "Vale de Lágrimas", mas de minha parte, ele também teria tocado "Dinossauros do Rock", "Brumário" e "Areias Escaldantes". Mas paciência, foi quase uma hora e meia de muita música boa e de um público envolvido pelas letras e pelo som muito dançante de um Lulu Santos animado, disposto, mas sem maiores amores.

Tomara que demore menos para Lulu voltar aos palcos paraibanos, trazendo sua boa música, seu suíngue e sua guitarra, fazendo todo mundo reviver bons tempos, de boa música, mesmo que ele continue assim, um chato de galocha.

Em tempo. Outra vez, de parabens a prefeitura de João Pessoa, por trazer, além de Lulu, Lenine, Ivan Lins, Marcelo Camelo, Luiz Melodia, além de todos os artistas locais que abrem os espetáculos, sem pre muito prestigiados e respeitados pelo público. Esse é o papel também do Poder Público: colocar o cidadão em contato não só com o nacional, mas com o regional também, muitas vezes solenemente esquecido. No caso de Lulu, Glaucia Lima, uma pesquisadora de música, abriu o show, cantando compositores paraibanos, no que foi muito bem recebida.

Fotos: Carol e promocional.