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domingo, 15 de janeiro de 2012

The Time - 03 de dezembro de 2011 - Seduction Party


Ainda que meio atrasado, mas para fazer um bom registro da noite campinense.

Desde a boate One em Campina, que funcionava ali na antiga Vila Borghese, bem em frente ao Dr. Chopp (com ótimos motivos meio oitentão) não se estruturava uma outra casa de vergonha. Até agora.

Definitivamente, a The Time Club (http://www.thetimeclub.com.br/) pode ostentar a designação de boate, não de um galpão, maquiado com uns panos (já viram isso?) e com uns exaustores que matam o povo de calor dentro, enquanto um jogo de luz de 1990 resgatado das festas da aranha (alguém viveu isso?) lá do Alto Branco ficam piscando, e você sempre se lembra que, uma hora ou outra, vai tocar "Fazer amor de madrugadaaaaaaa..." e aí você pensa: sim, sim! Estou na velha e provinciana Campina Grande!

Estrutura decente, Jogo de Laser pesado, mas definitivamente com um projeto de ambientação, som e engenharia de som (pesado mesmo), sem nada arranjado de última hora, com "gambiarras" conhecidas e todas as dificuldades do mundo tão comuns nos arremedos de boates que aparecem por aí. Várias TV's de 40 polegadas espalhadas pelo bar - que por mais que ficasse cheio, permaneceu com bom atendimento, com uma barwoman comandando o serviço.

No fundo da boate tem uma área bem legal, tipo um lounge, onde a galera sai pra fumar, com umas mesinhas, num terraço elevado, bem em cima de onde ficam os banheiros, bem arrumados e organizados.

Nota de serviço fraco foi (como quase sempre é), a turma de apoio na entrada. Meio desorganizado e um pessoal quase sempre despreparado. Onde deveria se prezar a simpatia e a cortesia (afinal se está pagando por um serviço) impera a antipatia e o sempre conhecido estilo brucutu de ser. Mas nada que ofusque o brilho da noite e a qualidade do som e da luz na boate.

O residente/empresário Raphael Almeida começou a noite tocando as que estão bombando no fim de 2011 e início de 2012, abrindo a noite para a grande atração, Milena Scheide, catarinense e que, segundo alguns sites, já tem se destacado no cenário nacional como uma das boas promessas nas pick-ups nas boates e festivais. Integra um coletivo de música eletrônica chamado de Female Angels, e toca em todo o brasil (além de boa parte da América Latina) e também tem começado boas incursões pela Europa, já tendo se apresentado, inclusive, em Ibiza, ao lado de grandes nomes da cena Eletrônica.

Ela esbanjou simpatia e também com um toque de sensualidade, começando a tocar com um terninho vermelho, mas logo estava sem ele, deixando a mostra suas tatoos com motivos meio indígenas, pelo que deu pra ver. Sempre que solicitada, estava fazendo fotos com os fãs, que se revezavam para conseguir registrar o momento com a beldade que, muito mais do que isso, mostrou realmente, para os apreciadores da música eletrônica, que sabe muito. Muitos loops, muitos ecos e passagens impecáveis, com muita técnica mesmo. Bastava olhar pra ver que ela não estava só passando as músicas não, tava botando pra quebrar mesmo.

Mas também, são pouquíssimos os que gostam mesmo. Quando ela começou (porque não tocava os hits somente, mas fazia evoluções de quem conhece mesmo) foi exatamente o momento em que só ficou quem gosta mesmo da música e gosta de dançar e não de ficar pagando de playboy emgomadinho e patrícias de salto agulha atrás de alguma mesa metálica com um litro de alguma coisa fazendo caras e bocas...

De parabéns, novamente, Raphael Almeida. Tomara que Campina suporte, pelo menos por algum tempo, a boate. Quiça possa se criar (coisa dificílima por aqui) alguma cultura diferente na cidade, que vive há décadas, um marasmo tremendo de casas boas e que, parece, por serem boas, terem uma proposta legal (vide bronx, lennon, a própria One...) acabam findando muito mais pelo povo do que por outra coisa.


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Toda cidade tem o Bar que merece



Caríssimos,

É uma pena. Outro dia escrevi por aqui o quão difícil é manter uma cena legal de música e cultura aqui na cidade. Os bares são escassos, os recursos são escassos, a cidade fica, a cada dia mais, aculturada, pobre (de dinheiro e de cultura) e mesmo existindo muita gente bem intencionada, parece sempre que é nadar contra a maré.

Segue o texto de despedida de Ingrid e Hetury, dando conta do fechamento do Bronx. Pedi permissão a eles para reproduzi-lo aqui.
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Toda cidade tem o bar que merece

Se nós nos perguntarmos, ou mesmo perguntarmos a alguém de qualquer parte do mundo o que se teria como ideal de um bar para se curtir na sua cidade, esse alguém provavelmente lhe responderia que o bar teria que ser de fácil acesso, com amplo estacionamento, onde qualquer tostão serviria para o guardador local. Que tivesse cerveja gelada, música ao vivo de qualidade pagável com míseros reais, onde você pudesse se encantar com quem você bem se entendesse sem se sentir desrespeitado ou intimidado, um lugar onde sua turma vivesse de fato em harmonia com o semelhante sem se importar com títulos ou sobrenomes, onde todos vivessem em completa harmonia. Seria possível um lugar assim, onde os seres vivessem suas fantasias em paz? Vos digo que sim, esse lugar de coexistência existe, ou melhor, até ontem existia, bem aqui no centro.

Os fatos que levaram até o encerramento das atividades do Bronx vão virar lenda, porque no fundo não importa o que se diga ou se escreva, no final faltou foi grana mesmo. É muito complicado trabalhar numa cidade onde não existe geração de renda. Vocês se lembram qual foi a última empresa que abriu na cidade que gerasse renda para mais de 1.000 pessoas? E olha que não estou falando de nem 1% da população campinense. Como se sai de casa para curtir sem grana? Não dá!

Como dinheiro gera dinheiro, essa é uma lei do nosso velho capitalismo, estamos indo para onde ele está no momento, porque por mais que as pessoas daqui neguem, um fato é relutante na minha cabeça, não consigo mais viver no marasmo. Por isso vamos a luta, vamos começar de novo.

Numa hora de despedidas são necessários os agradecimentos as pessoas que estiveram sonhando conosco até o ultimo timbre: A Fábio Rolim, Laércio Barros (o benevolente), Nivaldo segurança, Bob, Daianne Porto, Juliana Santos, Raoni Oliveira, Priscila, Caju, Isaac (Equipe Bronx); a todos os músicos daqui, dali e de acolá; aos parceiros e coletivos; aos amigos Helenaldo e Amanda, Adriano, Ivan, Carol e Danilo, Ellen, Poliana, a grande Val Danada, Patrícia, Robitcha, Célio Barros e os meninos super poderosos da Rox, Franz lima e Manu, a Felipanpis. A cada um de vocês, inclusive os esquecidos, o nosso simples OBRIGADO. Somos gratos pela capacidade de vocês em ajudar sem medida o próximo, esse é o significado real de SER humano.

E a você que sempre chegava pra nós e pedia com tanta vontade que desse certo e que agente permanecesse por aqui, desculpa, mas não deu.

Para você que torcia contra, desculpa, mas não deu certo, estamos indo para Fortaleza ver a copa com uns chegados, enquanto você vê pela TV de 14”.

E se foram dois anos de muita música, muitos amigos, sorrisos, abraços e beijos, cerva gelada e um calor danado, mas acima de tudo muita beleza. Como era bonito de ver o Bronx lotado, todos com os punhos cerrados para saudar o presente divino de VIVER.

A Maria Clara e a Cleuda pelas orações e bênçãos, que Deus as abençoe. Amo vocês.

A Ingrid, minha mulher, meu amor é seu, pra todo sempre, amém.

Valeu,

Até breve.

Por Maria, por Helena, por Nós.

Hétury de Araujo Estrela.

O Rappa - Dommus Hall - João Pessoa, 12 de novembro de 2011


Mais uma vez a completa certeza de que continua sendo a banda brasileira que mais produz e continua a produzir boa música, bons espetáculos, bons discos. Mais uma vez a energia que Falcão passa para a galera é uma coisa bombástica. Como se fosse morrer logo ali, depois do show então... como ele mesmo diz: BOTA PRA FUDER!!!

E esse show, diferente dos muitos que eu já vi, não teve espaço pra respirar entre músicas pesadas e mais leves, porque foi totalmente intenso, do começo ao fim. Talvez pela parada que deram de quase dois anos, motivada, aparentemente, por algumas diferenças entre os membros da banda, mas que no final se mostrou necessária não pelas diferenças, mas pelo cançaso mesmo de quase 20 anos de estrada, tenha feito com que tivessem vindo com tanta gana. Pelo menos é assim que Xandão tem dito nas entrevistas.

De toda forma, Falcão agradeceu algumas vezes por a galera "ter esperado o Rappa voltar" e mandou, no começo: "Avisa pra todo mundo que o rappa voltou!"

O show começou com o telão mostrando um tipo de resumo das conquistas do rappa, as capas dos discos, os prêmios de música, além de depoimentos dos integrantes, sempre falando da saudade da banda, do retorno, da renovação, do gás com que voltavam, da vontade de estar na estrada, e terminou com a frase: "O RAPPA ESTÁ DE VOLTA". E o estouro começou com "Lado B, Lado A" e a partir daí foi tudo uma pancada.


O palco estava todo montado com as mesmas artes do último CD/DVD gravado ao vivo na Rocinha, com madeiritos, caixotes e cordas, imitando palafitas e barracos, além das tradicionais projeções em todo o palco, mostrando o sincretismo religioso, imagens fortes de violência misturados com outras de esperança, crianças, e também com frases ou palavras. A bandeira da Paraíba também apareceu, levando ao delírio o público.

O show estava lotado, muito lotado mesmo. Liás, vendo o site oficial da banda, foi recorde de público na Dommus, com 8.700 pessoas. Mesmo pagando mais para o frontstage, não tem jeito, foi, em alguma hora, aperto. Só dá pra aguentar porque ali, na intensidade do show, ninguém tá nem aí para calor nem nada. Queria era curtir tudo o que tinha para curtir.

E Falcão sempre ajuda, jogando muita água pra galera. Ele parou o show duas vezes pra fazer isso. Era muito quente mesmo.

Coisa que também dá muito pra perceber é quem é fã mesmo ou quem vai pra escutar "pescador de ilusões" e "Vapor Barato". O show foi todo montado em cima do último trabalho inédito do grupo, "Sete Vezes". Assim, muita gente que não acompanha de verdade a banda, acaba ficando meio voando. Mas quem é fã mesmo sabe da qualidade do último trabalho, tão bom quanto todos os demais, até mesmo da referência (pelo menos para mim) que é o "Rappa Mundi".


Assim, vieram "Meu Mundo é o Barro", "Hóstia", "Fininho da Vida", "Súplica Cearense", "Documento", "7 Vezes", "Meu Santo tá Cansado", e "Monstro Invisível".

Entre elas, também não podem nunca deixar de acontecer as que sustentam a banda ao longo de sua história, ainda que algumas não sejam assim tão comuns, como "O Salto", "Homem Amarelo", "Papo de Surdo e Mudo" e "Linha Vermelha". Mas vieram também "Pescador de Ilusões", "Mar de gente", "O que sobrou do Céu", "Minha Alma", "Rodo Cotidiano" e "Reza Vela".

E assim foram quase uma hora e meia de muita intensidade que é próprio das bandas que gostam de tocar ao vivo. Com o apoio sempre providencial do DJ Negralha, fazendo as transições entre as músicas, o rappa continua muito bem na fita. E, segundo as notícias, entram em estúdio para gravar a partir de janeiro novo álbum que, segundo Xandão, será o melhor da carreira do Rappa. Que seja!


Outra nota boa foi Val Donato (muito melhor cantando rock pesado do que MPB ou o que o valha) e a banda Entidade, que se apresentaram antes do Rappa e não deixaram a galera parada nem sem cantar um minuto sequer, cantando RHCP, SOD, Audio Slave, Coldplay e por aí vai...

Bom show, Digno da história do Rappa e ainda bem acompanhado por bandas de apoio muito empolgadas com a chance, certamente, de abrir para mais uma apresentação memorável da melhor banda de rock do Brasil.