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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Nota Triste - Fim do White Stripes



Depois de 13 anos da dupla, o White Stripes anuncia, na sua página oficial, o fim.

Jack White e Meg White são autores de uma das músicas mais contemporâneas que eu conheço, chamada de "Seven Nation Army". Vários artistas já entoaram (Audioslave, Pearl Jam, Damien Rice, REM, U2...), em shows ao vivo, foi remixada com centenas de versões, e virou um verdadeiro hit nos estádios e Ginásios no mundo inteiro.

O disco onde está o maior sucesso do grupo (Elephant) ganhou o Grammy de Melhor Disco de Rock Alternativo.

Não há nenhuma explicação aparente para o fim da dupla, e tudo que o site diz é que:

"O The White Stripes não pertence mais a Meg e Jack. O The White Stripes pertence agora a você, e você pode fazer com ele o que quiser. A beleza na arte e na música é que ela pode durar para sempre se as pessoas quiserem. Obrigado por compartilharem essa experiência. O seu envolvimento jamais será esquecido por nós e somos realmente gratos por isso".

Quem quiser matar a saudade, taí o link http://www.youtube.com/watch?v=xi8KdTk0u0g&feature=related.

Enquanto as bandas de Rock se acabam, os parangolés se multiplicam... Haja!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Bebe Blues Come Jazz se Transformará em "On the Rocks"





Há uns 10 anos comecei a frequentar o bar que mais gosto em João Pessoa. Muita gente legal, que vai tomar uma cerveja depois da aula na universidade, jogar uma partida despretensiosa de sinuca mata-mata.

Já disse em outra oportunidade que é um dos lugares em João Pessoa que mais me lembra os meus amigos. Eu e André Negão vivíamos lá (e ele sempre gostava de jogar uma partidinha de xadrez - pra pegar uma garapa, claro, porque na sinuca não dava pra ele), mesmo naqueles dias em que nada parecia funcionar na cidade. Eu, ele e tantos outros da universidade íamos muito lá jogar conversa fora e tomar uma heineken ou uns uísques... em outros tempos, eu, Becka, Fábio Simpson, Lalá, Fernando Jr. também fomos muito...

O Major, ex-dono do estabelecimento, sempre estava trocando uma idéia com a galera, além de desafiar, de quando em vez, algum mais chegado para uma partida de xadrez ou mesmo de sinuca, quando estava muito inspirado, normalmente na quarta feira, dia de menor movimento.

E o Bebe Blues tinha (e têm mantido) essa cara de rock n' roll, blues, jazz e de uma cara de bar old fashion mesmo, onde a galera só toma cerva mesmo e vai conversar, dentro ou mesmo fora do bar (que fica muitas vezes mais lotado do que o interior dele).

Agora, sob a administração de André, que há três meses está sozinho como proprietário, o bar está dando uma pequena mudada, mas mantém as características que sempre o fizeram ser o que é - um bar predominante de universitários, de gente de verdade, despojada, a fim de boa música, de curtir a sua (seja ela qual for) e de uma sinuca pra relaxar.

Aliás, tive oportunidade de trocar uma idéia com o dono, que é do Paraná e lhe parabenizei por ter mantido a idéia do bar que, segundo ele, vai trocar de nome e passará a se chamar de "On The Rocks" - o Major, aparentemente, pediu o nome - Nada mais justo. O novo nome é legal, mesmo que pouco ou nada se veja alguém tomando alguma coisa on the rocks lá...

Enfim, de novo mesmo, agora tem dois banheiros, onde bem antigamente era um pipimix, não há mais duas sinucas, mas somente uma (antes tinha uma sinuca para a segunda divisão) e o som que anuncia que o bar está fechando, quando André suspende a venda das fichas da sinuca e coloca o som de uma banda que ele gosta muito (em todos os finais de semana de janeiro eu fui lá e escutei) chamada de "Terra Celta", que por sinal tem um site muito legal com downloads grátis de músicas (http://www.terracelta.com.br/).

O resto continua o mesmo. E tomara que continue assim, porque eu não conheço outro bar no mesmo estilo em João Pessoa.

Salve o Major! Salve o Bebe Blues! Boa sorte à André na tocada do "On the Rocks"!

Maria Bethânia - Estação Nordeste



Ainda cogitamos de não ir vê-la por causa da chuva. Mas foi só por alguns segundos, porque depois acabou prevalecendo a (óbvia) razão de que nem que chovesse canivetes iríamos vê-la - Oportunidade como aquela dificilmente aconteceria novamente - era de se ponderar.

E lá fomos (eu, Carol, Cris, Yve, Paloma, Vi e Fernanda) para as areias do Cabo Branco ver e ouvir (por que ela é de se ver tanto quanto se ouvir) a maior cantora do Brasil em atividade, pelo menos para mim. Ainda fizemos, rapidamente (no final do show, claro) um tipo de ranking delas - E à unanimidade apareceu Maria em primeiro, seguida, de longe, talvez por Marisa Monte, Nana Caymmi ou Gal...

Mas vamos lá. Ela, sozinha, é a intérprete, a atriz, a entertainer, o palco, o som, tudo, tudo. Ela seria capaz de fazer um espetáculo inteiro, somente cantando à capela e recitando poemas (como costumeiramente faz nos seus shows) como em "Cartas de Amor", de Fernando Pessoa, lindamente interposto entre as estrofes de "Mensagem".

E não seria nada fácil recitar poemas ao ar livre, nem mesmo conversar e contar histórias como ela fez, na sua voz aveludada e tranquila - e o público - num misto de hipnotizado e encantado, escutar (e não só ouvir) essa esquálida fantástica contar de sua relação com o irmão (que lhe poupa, desde que nasceu - junto com Chico - o esforço para compor alguma coisa...) e com a mãe, a quem dedica o show, chamado de "Amor, Festa e Devoção, o espetáculo".

Esse é um título que mostra muito de tudo que a acompanha na sua carreira. O amor com que atua na sua vida artística e que aparece escancarado nas suas interpretações, a Festa que produz no seu cantar e a Devoção à mãe, ao irmão, à cultura afro-brasileira, ao palco (onde só entra descalça por entender que é terreno sagrado...).

Sozinha, ela canta, e junto com o cantar vem o sofrimento que o público percebe na expressão facial, na pancada que ela dá no próprio peito, quando arqueia os ombros para frente, quando faz um meneio de mão que explica em gestos o que a canção diz, quando desliza lentamente pelo palco, quando agarra os longos cabelos grisalhos, e quando senta para cantar com seu maestro violeiro, como se estivesse num alpendre na beira da praia (e estava mesmo!).

E assim ela cantou, prendeu o público durante quase uma hora e meia. "Vida", "Fera Ferida", "Não identificado", "Teresinha", "Ronda", "Explode Coração", "Estrela" (do fantástico Vander Lee - que vai, cada vez mais calcando firmemente sua carreira - vai explodir dentro em pouco, tenho certeza), "O que é o que é" e "Reconvexo" talvez tenha sido o clímax do espetáculo, todo mundo dançado uma quizumba...

Ah! E ela ainda consegue transformar "É o Amor" numa linda apresentação teatral e fazer esquecer dos gritos que Zezé de Camargo nem consegue mais dar... e como música incidental ainda espeta "Vai dar namoro", arrancando gargalhadas da platéia...

Ainda tivemos (mais uma vez) a participação de Chico César (que se consagra, por fim, no show de Zeca Baleiro - outro post - como grande responsável por trazê-la, e a Ana e Gabriel), cantando lindamente "Dona do Dom" e "Onde estará o meu amor". Só foi horrível ele dizer que estávamos todos em "Grã-Bethânia" - What the fuck? Mas tudo bem, passou.

Sim! E a santa chuva veio. E foi lindo. Ainda bem que nossa sanidade prevaleceu e vimos, sob a chuva, um espetáculo difícil de esquecer. A filha de Dona Canô também pareceu encantada com o que viu nas areias da Praia do Cabo Branco e consolidou um marco na história cultural da Paraíba.

Pisando em pétalas de rosa, entrou no palco e transformou a praia numa enorme celebração à boa música.

Viva Maricotinha!!!