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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Ana Carolina - Estação Nordeste


Depois de ter passado uma tarde inteira movido à samba no Cariocando Bar e de uma dormida para renovar as forças, acabamos chegando (eu, Carol, Yve, Núbia e Kris) atrasados para ver a Musa da diversidade sexual nas areias do Cabo Branco. Sob gritos de "necessáaaaaaria" e "absoluuuuuuta" ainda consegui ver uns 40 minutos de uma Ana Carolina que faz jus a tudo o que conquistou, sobretudo do ano 2000 pra cá, tendo sido um dos artistas que mais venderam discos até então.

De minha parte, nunca tinha visto em nenhum outro show dos que já fui, a praia de Cabo Branco tão lotada, o que só comprova a força da música (e em muito também, da personalidade que é Ana Carolina).

Dona de uma voz em Contralto, mas que é capaz de alcançar agudos incríveis, Ana atrai realmente públicos os mais diversos, e sua música, que vai do Rock à embolada, do Samba ao Funk, do Tango à Música Eletrônica e que mistura não só os ritmos, mas também os discursos - moralistas, políticos, românticos, sacanagem pura - ajudam e muito na formação dessa massa de gente tão diferente, mas que a idolatra de maneira intensa como é sua voz - E como grita!!!

Das que ainda consegui ver, estavam "Quem de nós dois" (um de seus maiores sucessos), "Encostar na Tua", "Cabide" (quando ela tocou pandeiro e ainda emendou com "Implicante"), "Rosas" e terminou o setlist com "Uma Louca Tempestade" (que apesar das previsões, ainda bem que não caiu), uma das músicas mais fortes que ela tem na minha opinião. Voltou para o bis para "Garganta" (numa batida meio eletrônica), fazendo o público cantar a música que a lançou para o cenário nacional.

Nota: E vai se fortalecendo (pelo agradecimento pessoal da própria Ana deu pra perceber) o nome de Chico César como grande responsável pela vinda dos artistas que estão nesse festival: "Agradeço a Chico César por ter me trazido pra cá. Valeu Negão!" foram suas palavras. Ele sabe como pisar no coração de uma mulher, o que também se repetiu para Maria Bethânia (próximo post).

De resto, a audiência acompanhava cantando com sagacidade e paixão, que é marca registrada da maioria das composições da artista, que gosta tanto de falar de amor, de dor, de coragem, de desejo, de perdão e sempre de maneira muito pesada no cantar e nas batidas sempre presentes, de um violão.

Dos registros que encontrei, talvez esse seja o que melhor mostra a performance de Ana, bem como a força da sua voz e a paixão do público: http://www.youtube.com/watch?v=1HU3n9CLjTE&feature=related

Mais uma vez, música muito boa, tudo começando no horário, um público altamente civilizado - até os banheiros foram invertidos num lampejo de bom senso de algum organizador municipal da festa (reclamação que até tinha registrado no show de Margareth) e, só restou, novamente, ir para o Bebe Blues Come Jazz, encontrar com personagens sentimentais do Mad Max e viver intensamente o que restava de (mais uma!) noite de verão.

Allez!

foto: www.tevinabaladapb.blogspot.com

Cariocando - Samba bom no Bessa


No último dia 15 de Janeiro, por convite do meu grande amigo Dimitre Soares (além de tudo, um bom apreciador da boa música), fui conhecer o Cariocando Restaurante Musical Bar (http://cariocandopb.com.br/cariocando/home/3) na praia do Bessa (logo ali no comecinho, quando em vez de entrar à esquerda no MAG Shopping, seguimos direto - fica logo à frente uns 200 metros).

Grata surpresa! Uma investida completamente sem pretensões acabou se tornando uma ótima opção para o sábado, ouvimos som de Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Bezerra, Moreira, Agepê, e por aí se desenrolou um ótimo dia, na sobra tranquila, na brisa fresca e na cerveja gelada do local. Pelo site, dá pra ver que rola também samba aos domingos. Outros dias tem Chorinho, Bossa e MPB para Happy Hours.

Ao som da Organização Brasileira do Samba (Obras), liderado por Bené, a banda fez um samba de mesa que não se resumiu unicamente à própria mesa da banda, mas incluiu também as mesas de todos que estavam no local, trazendo boa parte dos instrumentos para encerrar com a audiência, extremamente satisfeita com o repertório e a desenvoltura do grupo.

O samba (já soube pelo site) desses sábados e domingos de janeiro tem sido "solidário" pois os proprietários encabeçam também uma campanha pelos desabrigados do Rio de Janeiro - iniciativa muito legal por sinal. Recebem doações dos clientes e a banda doa metade do couvert para os desabrigados da tragédia carioca.

Outra boa pedida para o verão e - tomara - que se firme, sendo uma outra boa opção para a cultura paraibana.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Margareth Menezes e Gabriel Pensador - Estação Nordeste


Nesse final de semana fui dar uma olhada no 'Estação Nordeste', projeto da prefeitura municipal de João Pessoa que há alguns anos tem acontecido - e de maneira muito feliz, registre-se - no Busto de Tamandaré. Muitas famílias, muitas crianças num evento muito bem estruturado (com exceção dos sempre problemáticos banheiros químicos, que dessa vez estão absurdamente instalados virados para um muro - e a menos de 1,5 metros dele - sem iluminação, um caos.)

Enfim, mas na sexta vi uma negra belíssima levantar a galera nas areias do Cabo Branco. Ela, que é considerada precursora do movimento Afro no Brasil - e trouxe elementos e instrumentos musicais da cultura afro para o palco - sempre foi tida como referência para a música baiana brasileira, mas também da chamada world music, tanto que foi indicada por duas vezes ao prêmio nessa categoria no Grammy Awards.
Além disso, a cantora e compositora está sempre engajada em movimentos políticos pela preservação da cultura afro e de campanhas filantrópicas e educacionais.

No setlist, consagradas como Faraó (Divindade do Egito) - o primeiro samba-reggae do Brasil, Dandalunda, mas também músicas do novo disco "Naturalmente", num estilo mais pop. Teve até espaço para um "Imagine" de Lennon. Dividiu o palco momentaneamente com Chico César para cantar Mama África, que também foi um dos pontos altos do espetáculo.

A marca maior, no entanto, é a energia que ela mesma emana. Não para um segundo sequer e exulta a galera a participar da festa. Muito bom o show. E claro, o último show que tinha visto da Musa do Afromovimento brasileiro tinha sido ao lado do meu grande amigo Becka, mas eu me lembro muito mais da nossa preocupação em ser assaltado do que exatamente do show, que também só vimos por menos de 10 minutos...

Já no sábado, ao som de Gabriel o pensador (que entrou bem atrasado nas areias do Cabo Branco) a galera (muitos pensantes, por sinal) relembraram sucessos do rapper (talvez o único com alguma projeção) brasileiro - meio eminem, no meio da galera black que leva esse movimento (ainda que sem muita força midiática).

Acompanhado de banda de base e dj, mesmo no som péssimo - parece que tinha sido meio montado às pressas mesmo - fez um show muito legal, apesar de em uma parte dele parecer que Gabriel estava meio down, cantando raps meio intimistas, falando de morte e tal (nem sei se existe rap intimista, mas vamos lá).

De fato, Gabriel ainda logra os êxitos de uma carreira que nasceu de maneira bem interessante quando ele criou a música 'matei o presidente' que, no caso, era Fernando Collor de Mello, que acabara de sofrer impeachment. Detalhe é que a mãe do cara era assessora dele.

A partir daí (e são as principais músicas do show) sucessos como 2345meia78, Cachimbo da paz (que sempre instiga muito a galera...), Astronauta (cantada no bis), Até Quando? e Palavras repetidas, um rap que utiliza (coisa muito comum nos raps de Eminem, Jay-z, Tibaland...) o refrão de "Pais e Filhos" do Renato Russo (acho que a música de maior projeção desde 2005).

De quebra, ainda deu tempo de fazer rap tendo por tema as praias e bairros da Capital da Paraíba, afinal "João Pessoa" é ótimo pra fazer rima com "muito boa" e "Cabo Branco" tem uma rima 'rara' com "meu canto" e por aí vai.

Participou do show também (e com toda moral que merece) Escurinho, e cantaram juntos "A mulher que virou homem" de Jackson do Pandeiro. Gabriel se divertia com sua câmera digital ao mesmo tempo em que cantava, registrando tudo e pedindo pra galera participar do registro, sempre.

De resto, as areias do Cabo Branco tem sido, até agora, bom lugar para ver boas atrações.

De lá, só indo para o Bebe Blues Come Jazz (sem o Major), escutar música boa, lavar a 'Absolute', com 'Heineken', sentir muita saudade dos amigos (poucos lugares me lembram tanto deles) e jogar aquela sinuca em boa companhia, que ninguém é de ferro.

foto:http://www.paraibamix.com/2011/01/estacao-nordeste-comeca-hoje-em-joao.html